De fã para fã

Matéria elaborada para a Revista Gambiart (revista feita por alunos da Universidade Cruzeiro do Sul)

De fã para fã

Você provavelmente já viu, rodando pela internet, uma imagem de um determinado personagem de desenho animado como se estivesse no mundo real, ou de um ídolo em uma gravura que ilustra algo impossível de se acontecer. Estas ilustrações são as famosas “fanart” ou “fan art”, obras de arte criadas por artistas apaixonados que se baseiam em coisas já existentes, na fantasia e em histórias diversas. Através de suas imaginações, colocam essas pessoas ou personagens em situações inimagináveis sob o contexto da obra original; às vezes, podem ser até representações fiéis ao original. De uma forma ou de outra, elas são incríveis aos olhos de quem as admiram.
O termo pode ser usado tanto pra artes criadas com base em mídias visuais, como filmes, histórias em quadrinhos, games e outros, quanto por fãs de pessoas reais. O termo ganhou destaque através de artistas amadores, que as produzem mais por hobby do que por trabalho (mas não se engane, a fanart também pode ser um trabalho!).
As duas coisas se encaixam para o artista Daniel Bogni. Ele trabalha com comissões, o que significa que ele é pago para produzir tanto fanarts quanto obras totalmente originais. Ele conta sobre a diferença ao fazer as duas: “Eu mesmo sou muito mais exigente comigo quando estou fazendo uma fanart. Por eu gostar muito da obra original, eu quero sempre fazer algo que esteja pelo menos próximo do que aquilo representa pra mim”.
O termo tem origem na língua inglês. "Fan" se refere ao indivíduo fanático por determinado assunto; e "art" a "arte", composição artística como desenho, ilustração, pintura etc. Ela pode ser feita de múltiplas formas diferentes, desde ilustrações como um retrato realista do objeto até obras digitalizadas. É uma forma de expressão criativa baseada no produto original e preenchida com diversos fragmentos criativos de seus autores.
Originalmente, as fanarts eram usadas como termo para indicar o trabalho de um artista, que não era necessariamente um profissional da área, mas que se empenhava em criar novos trabalhos com base nos tópicos do qual era fã. Esse tipo de ocupação era tipicamente encontrada em fãs de gêneros como ficção cientifica ou fantasia. Estes admiradores realizavam pequenos encontros e distribuíam os chamados “fanzines”, um certo tipo de revista com suas artes. Nesses encontros, eles podiam compartilhar suas obras com outros entusiastas.
Essa prática se tornou mais popular na década de 1970, quando o fandom da série “Star Trek” começou a realizar suas próprias convenções e fanzines. Nelas, havia também notícias sobre bastidores da série, cartas de fãs com suas artes para os envolvidos do programa, e até a comercialização das fanarts de um fã para outro.
À medida que a tecnologia avançava, foi ficando mais fácil pra esses entusiastas desenvolverem melhor suas habilidades nas criações e divulgarem para um público maior. A chegada dos computadores, a impressão em casa e o avanço da internet desenvolveram um papel importante para fandoms, já que assim eles podiam compartilhar seus trabalhos através de sites, fóruns e fanzines online. Aqueles que não possuem grandes habilidades de desenho, mas que também compartilhavam dessa paixão, podiam agora se arriscar através de programas de computação como o Photoshop, manipulando imagens já existentes para criar algo surpreendentemente novo. Hoje em dia, essa ocupação existe em muitos formatos diferentes e, embora ainda exista um mercado limitado pra isso, até hoje fanzines tradicionais são realizadas mundo afora. Ou seja, com ou sem tecnologia, a fanart resiste.
E quanto ao direito autoral?
Essa é uma questão frequentemente debatida pelos apreciadores dessa arte, e nem sempre tão fácil de ser respondida, pois difere de um país para o outro. Em diversos casos, uma única imagem pode estar diretamente ligada a duas ou mais nações. Porém, como um todo, um fato regular nas leis globais que cercam esse tema é que a fanart é considerada um “trabalho derivado”. Logo, quem mantém controle dos direitos autorais dessas obras são os donos dos direitos originais do personagem, propriedade intelectual ou universo ilustrado. O artista, então, não deve exibir o trabalho sem a permissão do criador original, e obviamente não deve vender o produto sem uma licença pré-estabelecida.
Entretanto, muitos dizem que a fanart é um trabalho transformador, que se inspira em algo existente e o transforma em algo com um novo propósito através de um olhar nunca antes imaginado. Portanto, isso seria legal, dentro de seu direito como artista.
Uma terceira perspectiva aponta que grande parte dos portadores do material original que inspiram essas ilustrações parece não se importar tanto com as atividades desses artistas. Aliás, muitos até estimulam, já que, de certa forma, este é um método de “publicidade gratuita” e em alguns casos uma forma de conseguir produtos sem recorrer a grandes empresas. Foi o caso da banda Thirty Seconds to Mars, que pediu aos seus fãs, este ano, que criassem fanarts para uma disputa de ilustrações, e a vencedora seria a capa de seu próximo disco.
Todavia, é inquestionável que essas obras vêm ganhando cada vez mais fãs. Seja comercializada ou não, é, antes de tudo, uma obra que deve ser respeitada. É algo criado por alguém apaixonado, com o intuito inicial de mostrar seu fascínio por algo que ama. E não pense que por ser algo baseado em assuntos de outro criador, significa que você pode plagiar ou roubar: sempre peça a autorização do artista antes de usar seu trabalho em qualquer mídia.
Onde encontrar Fanarts
Se interessou pelo assunto e gostaria de ver mais fanarts?
Existem diversas galerias online conjuntas e páginas individuais de artistas e entusiastas dessas obras. Abaixo estão algumas das mais populares da internet, para que você possa se inspirar e conhecer mais desse estilo artístico que vem conquistando tantos corações:
  • Deviantart
  • Harry Potter Fan Art Gallery
  • MediaMiner
  • Animexx: Fan Art Gallery
  • Fanart Community in Live Journal
  • Art Visual – Fanlore

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